domingo, 6 de março de 2022

Como eu fui parar num navio de cruzeiro – Parte 3 – da entrevista à offer letter

Estou revendo meus emails e no dia 06/08/21 eu recebi o email da Infinity dizendo que meu CV foi selecionado. (Foi quando eu parei de postar aqui no blog 😅)

No dia 07/08/21 mandaram o agendamento da entrevista para dia 09

No dia 10 eu mandei um email dizendo que não tinha visto (é eu sei, eu já tinha passado por isso, mas não me julguem, vcs não sabem o que mais eu tava passando naquela época, e nem eu pq não lembro kkkk)

No dia 13 recebi a resposta, eu achei que tinha guardado todos os emails, o do 2º agendamento não sei onde foi parar, mas devo ter feito a entrevista no dia 16/08/21 que foi uma segunda feira.

Eles falam pra gente ficar online no skype a manhã toda (eles dão o horário, mas eu não lembro qual foi) aí eu acordei cedo, me arrumei bonitinha como se fosse no presencial e fiquei online. Quando foi lá pra umas 10h da manhã adivinha se não me deu dor de barriga! Adivinha se não foi exatamente nesse momento que me ligaram!

Eu saí correndo do banheiro desesperada e não deu tempo de atender, mas eu retornei a ligação, não me atenderam, mas me ligaram de volta kkkkk.

Quem me ligou/entrevistou foi o Marcelo, ele ligou super bem humorado e eu incrivelmente atendi no mesmo nível de humor, super descontraída.

Sucesso, me senti super a vontade durante a entrevista toda, claro da um pouco de nervosismo, principalmente na hora de falar inglês, mas desenrolei. Uma coisa que eu achei bacana foi a sagacidade de mesmo eu tendo aplicado pra fotografia, a entrevista foi voltada pra área de restaurante, pois minhas ultimas experiências são nessa área e eles provavelmente já sabiam que ia ser nessa área que iriam me colocar caso eu passasse na entrevista.

Ele também me perguntou se eu não aceitaria alguma posição, mas dessa vez eu falei, eu apliquei pra fotografia, mas onde tiver vaga eu vou. Haha aprendi minha lição.

Além de o Marcelo estar sem mascara, eu acho que a comunicação foi muito mais fácil, não sei se por ser meu conterrâneo ou o que (mesmo tendo morado sete anos em Curitiba, talvez eu ainda não tenha pegado as manha de me comunicar com eles 😅).

Já faz muito tempo eu não vou lembrar de todas as perguntas, mas, eu lembro que na parte em inglês eu falei sobre o que eu fazia no meu ultimo emprego, em português perguntou pretensão salarial e coisas assim...

Ai gente me desculpa deveria ter escrito antes pra não esquecer. Mas o que perguntam nas entrevistas acha fácil na internet vai.

No dia 16/08/21 veio o email avisando que eu passei na entrevista, que a cia seria a Royal, a posição restaurant attendant, e o salário. Enviaram também um material pra eu conhecer melhor a cia e a posição pra saber se eu aceitaria mesmo.

Cliquei no botão de aceitar a vaga e no mesmo dia já veio o primeiro email da Royal pra eu me registrar no sistema deles e a partir daí acabou meu sossego 😆

Falam pra usar o site da Royal no navegador Firefox, mas tinha coisa no cadastro que não funcionava, resolvi me meter a besta de tentar no Microsoft Edge, e não é que deu certo!...

Então vou dizer que o inicio do meu processo foi dia 16/08/21.

Todo o cadastro no tal do C-Trac é feito por etapas e a Infinity vai auxiliando durante todo o processo, passo a passo, etapa por etapa.

Eu não lembro quando que eu entrei no grupo do whats de tripulantes e futuros tripulantes da Royal, eu sei que de tempos em tempos aparece alguém perguntando “alguém recebeu um email da Infinity falando que vai ter um bate papo?” e sim eu recebi esse email, esse bate papo acontece via skype, e de tempos em tempos eles juntam mesmo um grupo de recém aprovados pra falar mais sobre a Royal e tirar duvidas. O meu foi no dia 27/08/21 e se não me engano foi nesse dia que eu descobri que a Royal sorteia uma porcentagem dos candidatos (dessas posições mais baixas como a minha) pra fazer uma segunda entrevista, essa entrevista seria diretamente com a cia e 100% em inglês. Eu acreditando na minha má sorte, já tava desesperada pra ser aprovada no Jovens Tripulantes pra estudar o modulo de inglês logo de cara. Eu achava mesmo que não ia passar no Jovens Tripulantes, que seria sorteada pra entrevista com a cia e que não seria aprovada nessa 2ª entrevista por causa do inglês.

Sim o processo seletivo do Jovens Tripulantes ainda tava rolando!

Começo de setembro ainda tava mandando documentos pra Infinity, final de setembro eles avisaram que a Royal abriu as vagas pra minha posição e que estavam mandando meus docs pra cia. Final de setembro também já tinha acabado meu inferno astral e eu passei no Jovens Tripulantes 🙌

No dia 27/09/21 eu recebi um email da Royal dizendo que eu tinha sido selecionada pra fazer aquela entrevista

Entrei em desespero

À toa!

Era email automático, logo em seguida veio a offer letter ufa!

Observações: no navio tem algumas categorias, as mais comuns pros brasileiro é ser tripulante ou staff. Os cargos de oficiais e os mais altos de tripulantes e staffs sempre fazem a entrevista em inglês direto com cia (não me perguntem como é nas outras cias).

A Offer Letter como o próprio nome já diz, é a carta de oferta de trabalho. Ah mas vc já não tinha aceitado com a agencia? Sim mas a agencia propõe pra cia me chamar praquela posição, mas quem tem que me oferecer alguma coisa é a cia, o contrato é com eles e não com a agencia.

To sentindo que to esquecendo de falar alguma coisa dessa parte, bem duvidas deixa aí nos comentários que algum dia eu respondo.

😁

sábado, 5 de março de 2022

Como eu fui parar num navio de cruzeiro – Parte 2

Um resumo básico: em 2017 eu morava em Curitiba, fui pra Portugal, voltei em 2018, continuei em Curitiba e no final de 2019 voltei pra minha terra natal Santos.

Após ser picada pelo bichinho da viagem em 2017, a primeira coisa que eu fiz ao chegar em Santos foi me inscrever no curso de Agenciamento de Viagem.

Durante o curso foi tocado no assunto trabalhar em navio de cruzeiro, alguns tripulantes foram convidados a dar palestra pra nós alunos e tal, e eu acabei perguntando sobre essa questão do visual alternativo (hoje em dia eu não uso mais cores fantasia no cabelo, mas eu tenho muito mais tatuagens) e me falaram que algumas cias são ainda muito conservadoras, mas que isso tá mudando e inclusive tem uma Cia nova, a Virgin Voyages, que tem um público diferenciado e eles preferem o visual alternativo. Daí eu já comecei a ficar animada com esse assunto de novo, até fui pesquisar essa Cia, mas ficou por isso mesmo, 1º que já estávamos na pandemia, 2º que é uma Cia que não vem pro Brasil.

Chegou julho de 2021, me formei no curso, sem expectativa de nada, pois ainda estamos na pandemia, não me dei ao trabalho nem de fazer minha carteirinha de guia de turismo, mas veio uma noticia! Uma colega do curso mandou no nosso grupo do whats avisando que tava rolando um processo seletivo para ganhar bolsa de estudos através do projeto Jovens Tripulantes, para fazer um curso online da plataforma de ensino Deck4.

Eu não tinha nada a perder, pelo contrario, só tinha a ganhar caso eu fosse aprovada, então é claro que me inscrevi, e me inscrevi correndo pq se eu fosse dois anos mais velha eu já não poderia mais participar, afinal o nome é JOVENS tripulantes 😆.

Um dos requisitos de aprovação era consumir o conteúdo gratuito das redes sociais da Deck4, o que por si só já é um conteúdo riquíssimo, tão rico que só com isso aliado ao conteúdo de tripulantes que são influencers/criadores de conteúdo que eu comecei a seguir também, já foram o suficiente pra eu me cadastrar nas agencias, antes mesmo do processo seletivo do Jovens Tripulantes acabar e eu começar o curso.

Comecei tentando atualizar meu cadastro na Port Side, acho que até consegui, mas não sei que bicho deu que eu não consegui me candidatar a nenhuma vaga e nem sei se eles viram que eu atualizei.

Passou uns dias me cadastrei na ISMBR, pela experiência com a Port Side, eu não sabia que a ISMBR seria tão rápida, em menos de 24h eles mandaram um agendamento de entrevista e claro que eu perdi a data, nem tinha visto o email gente! Mas tudo bem, respondi o email, disse que não tinha visto e tal, perguntei se poderia ter uma nova data e pronto. Aí eu fiquei ligeira de verificar meu email. 

Consegui data, consegui entrevista, fiz a entrevista por skype, não passei XD

Bem, não tive feedback além de um email avisando que eu não tinha passado. Minhas teorias são: a moça que me entrevistou (não lembro o nome) estava de mascara, eu não sou manjadora de inglês, isso + o nervosismo = não entendia nada do que ela falava, então isso foi um ponto negativo. Outro ponto, ela perguntou se teria alguma função que eu não aceitaria trabalhar, e eu caí na besteira de dizer que não iria de cleaner basicamente pq eu não tenho costas pra isso (eu apliquei pra fotografia, pq mesmo sabendo que meu inglês não é o suficiente pra essa posição, as agencias dão um jeito de colocar a gente em alguma outra pq quem sabe um dia eu chego onde eu quero né), aí ela começou a questionar, ah mas pra fotografia da dor nas costas também, são muitas horas de pé e etc. e tal. Mentira pq eu já conversei com uma amiga que já trabalhou de fotógrafa em navio e sei que o buraco não é tão embaixo assim. De qualquer forma acho que a mulher não gostou de ouvir que eu não aceitaria qualquer posição e me rejeitou.

Aí continuei acompanhando o pessoal lá nas redes e logo em seguida da ISMBR apareceu o nome da Infinity Brazil, aí eu lembrei, po essa é a agencia daqui de Santos, deve ter sido por ela que o pessoal foi (eu já mencionei que eu conheço muita gente que trabalhou em navio de cruzeiro?).

Então é claro, no mesmo dia que eu recebi o email da ISMBR dizendo que eu não fui aprovada, eu me cadastrei no site da Infinity. Muito rápidos também, talvez até no mesmo dia, não me lembro, já mandaram email pra marcar entrevista e assim eu o fiz.

Na parte 3 eu conto como foi.

Como eu fui parar num navio de cruzeiro – Parte 1

Era uma vez uma Lívia em 2016/2017 que queria mudar de vida, se tornar completamente independente...

Tá não vou ficar escrevendo na 3ª pessoa, é esquisito!

Então eu me lembrei das minhas raízes santistas e pensei “vou trabalhar num navio de cruzeiro”.

Eu falei das raízes santistas pq eu tenho uma impressão de que o santista se quer ter sucesso profissional ele tem 3 opções: ou ele vai ser atleta (sim qualquer esporte é forte em Santos, não é só pra jogador de futebol não); ou vai trabalhar com turismo; ou com alguma coisa relacionada ao porto, afinal temos o maior porto da América latina, muito importante para a economia do país.

Apesar de conhecer muita gente que já trabalhou em navio, comecei a minha independência pesquisando sozinha. 

Achei a Rosa dos Ventos que na época eu não sabia nem que era agencia, pois eu achei um curso deles que falava sobre a vida a bordo. Bem eu consumi todo o conteúdo gratuito deles e até cheguei a comprar o tal curso, mas me arrependi e antes de dar aqueles 7 dias pedi meu dinheiro de volta... Eu já sabia que o investimento pra trabalhar a bordo seria alto, não podia ficar gastando com curso (se as muitas pessoas que eu conheço se aventuraram de trabalhar em cruzeiro sem curso, pq que eu ia fazer né? Minha opinião na época.)

Depois que eu já me sentia mais preparada (tinha começado a estudar inglês por conta própria também) eu achei a agencia Port Side de Curitiba, na época eu morava a menos de 5min de distancia de moto. Me cadastrei no site deles e fui chamada pra um processo seletivo/entrevista. O processo de seleção era basicamente uma palestra falando sobre o trabalho a bordo e sobre as vagas disponíveis. No final eles falavam, não com essas palavras, quem continua interessado aguarda pra fazer entrevista individual, quem não quer vaza. Eu fiquei pra entrevista, na época era presencial, e o entrevistador foi super bacana, desculpem eu não vou lembrar o nome dele. Eu tava bem nervosa por 2 motivos: meu inglês e meu cabelo, já explico. No final ele me deu um feedback muito legal, ele disse que eu passei na entrevista, que eu fui bem, que meu inglês estava bom, mas que eu precisava me soltar mais pq pra trabalhar em navio é preciso ser mais comunicativo, extrovertido e eu estava muito tímida. Ele ainda falou algo como “eu sei que tá frio, e vc tá aí toda encolhida, mas vc precisa se soltar mais”.

O que ele não sabia é que sim estava realmente muito frio e eu fui de moto, mas eu usei essas 2 coisas pra esconder o meu cabelo que era rosa choque! Se não tivesse frio e eu não tivesse usado capacete, eu não teria a desculpa para estar usando meu chapeuzinho de crochê, pq todo mundo sabe que capacete bagunça o cabelo e é comum os motociclistas tirarem o capacete e imediatamente colocarem algum chapéu.

Apesar de ter colocado de maneira que aparecesse minha raiz com a cor natural, eu temia que ele pedisse pra tirar o chapéu, afinal ele poderia até considerar falta de respeito né!

Mesmo ele dizendo que eu passei, na mesma hora ele já avisou que não tinha vaga pra mim. Naquele ano já tinha acabado o boom dos navios no Brasil, então como não tinha tantos, não tinha muita vaga também, mas o entrevistador falou que ia manter o meu cadastro e que quando tivesse alguma vaga que eu me encaixasse que eles entrariam em contato. Vc entrou em contato? Nem eles.

Ao mesmo tempo em que eu estava vendo essas coisas de navio, eu tinha dado entrada no meu processo de cidadania portuguesa. Quem me acompanha aqui já sabe que em 2017 eu fui pra Portugal e não pro navio, e assim ficou a 1ª parte da historia, na próxima vamos dar um salto para 2021.